Do pau e da prisão

(sem título)

A mulher que goza

que ri

que não se prende às regras monógamas

monótonas

mexe com os brios do macho que

precisa controlar

violar

organizar a pau

a ódio

tudo que é livre

que voa

que pula.

 

Simone Alegre

Anúncios

Cabe tão bem entre minhas pernas

Que mistério te encobre?
Que mal te impede?
Cabe tão bem entre minhas pernas e mal sabe.

 Por que tanta fuga, tanto não, tanto amor recusado?
Por que tua afeição não tem boca?
Por que teu amor só tem cabeça?

Cabe tão bem entre minhas pernas
e só sabe caber bem entre elas.

Não sabe mais que isso

Não tem carinho
Não tem convite
Não tem mãos dadas

Só o derramamento final.


Catarina Longa

Mulher na praça

cpl_bc

a poesia que ecoava na praça se tornava mais poesia. e a praça, mais praça. a prosa chegava, sorrateira, escorrendo nos vãos entre os skates e o chão, os cães e suas coleiras e no espaço intocável entre os olhares e o céu. a prosa ficou toda praça e poetizou os ouvidos públicos. de cada par de ouvidos, nasceu uma voz. de cada conjunto de vozes, pulsaram versos parindo a praça que os poetizara. mães e filhos se encontraram.

 e ficou a sensação, suposição singela, de que aquele amontoado de papeizinhos toscos sobre livros e rabiscos, ali no criado mudo mal iluminado, numa casa tão comum como qualquer outra, aquelas insignificantes letrinhas podiam ser semente de uma revolução. e aqueles encontros desencontrados de mulheres errantes, certamente cúmplices, lendo suas coisinhas e falando maluquices, aqueles e-mails desorganizados e ideias mirabolantes, tudo aquilo que parecia tão inofensivo, de repente, surgia grande. a grandeza da integridade de pessoas se tornando poesia e praças escrevendo prosa.

fica só a dúvida existencial: se a poesia engrandece a praça ou a praça potencializa a poesia. e não há a menor necessidade de respondê-la.

(Bia Ska)

 

A primeira postagem do blog do Circular de Poesia Livre é sobre o primeiro sarau público do coletivo, que aconteceu no domingo dia 7 de abril, durante o festival Baixo Centro.

O primeiro de vários, assim desejamos. Um grupo flutuante de cerca de 35 pessoas leram durante duas horas dezenas de poemas de mulheres.

Hilda Hilst, Angélica Freitas e muitas outras, incluindo produções próprias das mulheres do coletivo. Foi um belo fim de tarde na Praça Roosevelt, com poesia feminista sendo compartilhada em voz alta.

Obrigada a todas as participantes e amigas/os que prestigiaram a poesia! Que venham mais.

 sarau

Fome

Sua boca me toca, me saúda, tenta me engolir.
E eu sou devorada com amor, paixão e uma pitada de ternura.
As línguas se tocam e minha fome de você aumenta, dobra de tamanho.
Nossa fome de amor não se sacia.

Tamires Avelã