Era tanta pele. Só duas.

Tanta timidez em só uma.

Era eu.

 

Ela de pouca experiência enganava com desenvoltura.

Veio nas minhas costas.

Beijou meu corpo.

Senti seus mamilos.

Ela de pouca experiência enganava?

 

No segundo ato, apaixonadamente, cabeça entre suas pernas.

Tesão, repulsa.

Ela ajudava-se com os dedos.

Eu língua dedos dentro

Força

Fraqueza

Força gemidos

Agudos

Agudos

Agudos

Jato de gozo em minhas mãos.

 

Olga Palardo

Poema para ser lido devagar

de suas delicadas mãos, só sinto os dedos
a percorrer ombros costas coxas
Como que semeando algo
de suas delicadas mãos e meus ombros costas e coxas nasce a semente
que é fluido deslizante
Então
de seus deslizantes dedos
sentimos o calor do respiro forte
nossoscorpostentamfundirse
Quase sem conseguir

Palpitantes ostras
Escorrendo calafrios
Os gritos sussurrados e compassados
Antecipam os corpos já agora fracos
A cair

 em sono de morte

Catarina Longa

língua vital

do que é que o corpo fala que idioma nenhum participa?
que nem o gesto mais sutil apreende?
só o toque no toque, de fato, transmite
os mistérios profundos que nos movem as entranhas

seria o sexo a única forma de comunicação real?
capaz de transpor fronteiras entre seres
e uni-los na verdadeira língua materna
sabedoria de gaia, pacha mama, ciclo vital

idioma que todos nascemos sabendo
e por não saber da própria sabedoria
acabamos, com esforço, esquecendo

chega um dia em que tal lembrança nos falta
e buscamos nas línguas e linguagens todas
a essência perdida que nunca carregam

 

Bia Ska