Dezessete minutos

Um, dois, três, dezessete minutos.
De tentativas.
Os maxilares doloridos – suponho
(o prazer flerta comigo sem ainda beijar-me)
Tentativas.
Ainda.
Mais um, dois três, dezessete minutos.
Cansaço?
Eu não.
Uns arrepios.
Mas também a obrigação confundida com desejo. de gozar.
Cansaço?
Eu não.
Virá então o gozo ainda?
Quando?
Mais um, dois três, dezessete minutos.
(o prazer vem generoso sem nunca estourar)
Os vizinhos podem ver-nos à janela?
Cabeça abaixada, mãos no batente
Os joelhos abertos
Vagina, boceta, quadril e monte resolvem sambar pra frente pra trás
Em círculos.
Cansaço?
Eu não.
Tá respirando, querido?
O prazer, sempre presente, oscila
Pra frente, pra trás, em círculos
Cansaço?
Ele parece não estar.
E assim, com um aviso tímido e indeciso, vem subindo, descendo, sambando, chegando, pra frente pra trás.
E chega! O que senti, afinal?

Só sei que a parede virou algodão e meus dedos afundaram nela.

 

Catarina Longa

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