Poema de amor, próprio.

abortaria as ilusões

abortaria você

aborto é bom.

vem quando todas as sementes já foram plantadas e resultaram estéril

vem quando a comida é mastigada apenas mecanicamente

vem do tédio da desavença

das vontades esquecidas

da angústia dúbia dos nãos nunca pronunciados

Aborto é bom.

é evitar o caos

premeditar a desgraça

aborto é responsabilidade com a vida

de que vida estamos falando?

A vida com histórias, afetos, lembranças e dores sacrificaria-se pela presumida, pela duvidosa?

aborto é bom

e não é obrigatório

é saída

a última

é pra quem não pode continuar

vem quando não há mais nada pra vir. não se espera mais nada. acabou-se qualquer esperança.

Ou,

quando a esperança

(burra)

ainda persiste, mas o cansaço das retinas e músculos nos implora por parar.

Aí paramos,

eu paro.

Eu vou abortar você. De mim. De nós. Nem que seja com as minhas mãos.

Catarina Longa.

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