pós carnaval

quarta-feira de cinzas
folião deixa glitter no corpo e púbis
desaparece da retina
fica uma saudade dolorida
de quem veio só pro carnaval
aos poucos esqueço seu rosto
a sua voz
e não sei porquê sofro da falta dessa ideia pura
que é ficção e menos memória
esse corpo com pau pulante
que não tem nome
só tem glitter
que escreve seu nome no peito
em letras evanescentes
se limpam com as ondas que batem
à madrugada

Simone Alegre

à merda, o amor

Que haja uma (outra)
que haja amor
fora de mim
de meu lar
mas que reste um pedaço seu
de unha cortada
pedaço de céu do abraço seu
demorado ou furtivo-com-licença

Vamos, se apresse
(se quiser. é uma sugestão)
O tempo ruge barriga-das-treze-horas-sem-almoço
Não há ciúmes em mim
há só amor sem amarras
sem café da manhã
Amor sincero das mãos desatadas

Seja bem vindo
destranque a porta
megozemosnos
deixame
em paz
(amada ou não)
gozada!

Ame a quem mereça!
a mim, se desejar
Contanto que cada parte sua esteja em contato com a minha nesse instante urgente

(e à merda, o amor)

Simone Alegre

A siririca

Enquanto me masturbava
te quis
e gozei.
E no gozo vi teu rosto
E não veio só
O teu rosto.
Veio junto de outras faces
e paus
faces e paus que já tive o prazer de
ter algum prazer.

Gozo de faces
E faces de faces
Multidão acotovelada
Na siririca da moça só
no canto do banheiro.

A moça e o gozo
O instante surdo
A luz
As centenas de centímetros de peles
costuradas

 

Simone Alegre